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FAQ
Minha dúvida é sobre como ensinar meu filho a lidar com dinheiro. Ele vai fazer 10 anos e no colégio onde estuda tudo é pago pelos pais. O problema é que se eu der R$5,00 ele logo compra o que vê pela frente. Não importa a utilidade. Como ensiná-lo melhor? Onde está meu erro?
Calma, calma, calma! Em primeiro lugar estamos aqui falando sobre educação. E educação, financeira, inclusive, leva tempo para ser absorvida. Portanto, é melhor "baixar a bola" para tentar entender o que está acontecendo. Vamos lá: você diz que antes ele guardava tudo o que recebia. Agora, mal aparece um dinheirinho, sai detonando. Olha, vendo daqui parece que o problema se resume a falta de treino. Treino para usar o dinheiro. Se você leu os livros, viu que para que os filhos adquiram esse treino é necessário fixar uma mesada (aos 9 anos, semanada). Não tenha medo de dar mesada. Mesada serve, inclusive, para que os filhos, eventualmente, quebrem a cara comprando bobagens. Com o tempo, e rapidinho, eles aprendem. Pense bem, seu filhote tem 9 anos e não sabe usar dinheiro? Ótimo. Grave seria se ele tivesse 30 e cometesse estes mesmos erros. E você sabe que existem milhares de adultos assim. Mais uma coisa: deixe que seu filho aprenda a fazer escolhas e a arcar com elas. É isso que vai fazer de você uma mãe toda orgulhosa do sucesso financeiro de seu filho daqui a alguns anos. Pode acreditar.
Como introduzir a educação financeira dentro de sala de aula?
Pergunta complexa essa. Mas vai aí uma dica que pode ajudar. A revista Nova Escola, de setembro de 99, publicou uma excelente matéria, cheia de detalhes, sobre o assunto. Acesse o link para saber mais Nova Escola.
Tenho 32 anos e dois filhos. Um menino de 11 e a menina com 2. Temos um problema difícil de resolver. Quando Diego ganha qualquer quantia ele fica pensando com o que gastar. Mesmo que não precise, que não goste, ele tem que comprar alguma coisa. O que será isso? O que podemos fazer para que mais tarde ele não sofra com o descontrole do salário? E como devemos conduzir e educação financeira da Bia (2anos)?
Se seu filho não recebe quantias regulares, em datas certas, dificilmente vai adquirir treino para aprender a gastar. Comece dando uma semanada. Se ele será extraordinário, desde o início, na condução dela? Lógico que não. Vai errar e tropeçar muitas vezes. Mas vai aprender, cedo, que o mal uso do dinheiro tem conseqüências. E assim, quando o primeiro salário vier, ele já terá aprendido o suficiente para não se meter em confusões. Outra coisa: não se esqueça que, como em qualquer outra área da educação, a educação financeira de nossos filhos toma tempo e exige persistência. Quanto a nossa amiga Bia, passeando pelo supermercado, por exemplo, vá chamando a atenção dela, com tranqüilidade, para a existência de coisas caras e baratas. Basta algo assim: "Hoje nós vamos procurar uma coisa barata para comprar." Ou, "Será que isso é caro, Bia?". Eu sei que ela tem dois anos e não vai entender quase nada. Mas num instante, você vai ver como ela mesma, por conta própria, vai começar a repetir estas palavras. E a perguntar a você, a toda hora, se isso ou aquilo é caro ou barato. Este é um dos primeiros passos para começar a perceber que o uso do dinheiro exige racionalidade. Pode apostar. Já vi acontecer dezenas e dezenas de vezes. Volte com notícias e traga sempre suas dúvidas. Vai ser um prazer colaborar.
Os filhos de pais separados devem receber mesada de qual genitor? Sabemos que a mãe fica com a maior sobrecarga. Seria justo dar a ela mais este ônus?
Por etapas. Em principio, os gastos a serem cobertos pela mesada não devem constituir novidade para o orçamento familiar. Se antes da mesada os pais pagavam pelo cinema, lanches ou transporte, por exemplo, tudo o que se fará, a partir dela, será transferir a responsabilidade pelo controle destes pagamentos aos filhos. Por isso, duvido que a mesada de seus filhos vá exigir uma renegociação da pensão que eles recebem. Afinal, não será mais que uma "arrumação" dos gastos que eles já têm. De todo modo, como sempre insisto, uma parte da mesada deve ser usada para ensinar aos filhos a poupar, o que exigiria uma quantia extra àquela composta pelos gastos. Mas você já deve saber que as mesadas devem ter seus valores contidos pelo bom senso. Assim, mesmo esse extra não afetará, de modo radical, o acordo da pensão. Discuta com seu ex-marido a necessidade de dar mesada às crianças e certifique-se de que ele está disposto a colaborar. Quando se trata de ex-casais raramente o mais difícil é acertar o "quem paga a mesada". Muito mais complicado é convencer o parceiro a não boicotar o acordo, dando dinheiro por fora, às escondidas, para os filhos. Por isso é fundamental que vocês conversem sobre o assunto e combinem de quanto será e que gastos a mesada cobrirá. Precisando, volte. Boa sorte.
Tenho dúvidas sobre como devo agir em relação ao que já tenho e ao que vou deixar para meus filhos caso venha a acontecer uma fatalidade.
Ótima pergunta. A preocupação com o futuro dos filhos numa circunstância como esta deveria receber atenção constante de todos nós, pais, desde que eles nascessem. Sei que não é um assunto fácil e que é doloroso imaginar este cenário. Entretanto, por amarmos nossos filhos, é que temos que imaginar formas de minorar seu sofrimento caso uma fatalidade venha a ocorrer. Cuidar de ter seguro de vida e fazer um testamento que indique de que modo o dinheiro deve ser distribuído é fundamental. Verificar junto ao banco que financia o imóvel que providências devem ser tomadas de modo a que o imóvel possa ser quitado nesta eventualidade, também. Um último aspecto deve ainda ser considerado: no caso de morte dos pais, quem assumirá a educação das crianças? Cá para nós, muitas vezes os padrinhos são escolhidos mais por amizade do que por, realmente, parecerem pessoas que possam um dia responsabilizar-se pela educação de nossos filhos. De outro lado, é preciso levar em conta a idade e a saúde dos avós. Alguém em que você e seu marido realmente confiem, e que vejam como modelo de comportamento para seus filhos, deve ser sondado sobre essa possibilidade. Por fim, parabéns pela corajosa preocupação.
Sou uma criança de 11 anos. Meu pai não me dá mesada fixa (1 real aqui, 3 reais lá...). Eu queria saber se eu deveria receber mesada ou semanada. E quanto devo receber? Olha, moço, dar ou não dar mesada é uma decisão que cabe exclusivamente às famílias. Para que seus pais possam conhecer melhor as vantagens da mesada e o modo como deve ser dada, convide-os a passear pelo site. Se eles toparem, você pode receber o dinheiro sob forma de mesadas. Se preferir, pode começar treinando um tempinho com semanadas até acostumar-se com a novidade. Quanto ao valor, de modo geral, recomendo que até por volta dos 10 anos os pais dêem 1 real, por idade, por semana. Assim, você poderia receber alguma coisa em torno de R$ 44,00. Mas, claro, isso depende, antes de mais nada, do orçamento de seus pais. Esse dinheiro deverá ser usado tanto para comprar as coisas que você precise, quanto para poupar uma parte.
Tenho dois filhos, de 10 e 12 anos. Costumo dar a mesma quantia de mesada para os dois. Se for aplicar a sua regra de valores, um vai passar a receber R$ 10,00 por semana e o outro R$12,00. O fato das quantias serem diferentes vai provocar uma revolução em minha casa. O que devo fazer?
Vamos devagar com este andor. Em primeiro lugar, o fato de terem idades diferentes sugere que exista também uma diferença em relação à maturidade, graus de responsabilidade e obrigação além, inclusive, de diferentes necessidades relacionadas ao consumo. Portanto, é muito justo que o mais velho receba um pouco mais. O caçula vai espernear? Sem dúvida. No entanto, você deve lembrar a ele que a mesada não é um presente, um mimo, mas apenas um instrumento para a educação financeira. É verdade que não posso garantir que ele vá parar de reclamar. Porém, mesmo a contragosto, ele vai compreender que existe lógica no fato das quantias serem diferentes. Como será lógico que o mais velho dirija ou vote antes dele. De mais a mais, não se importe tanto com a pressão do caçula. Dia virá, nós sabemos, em que a diferença de idade será, finalmente, favorável a ele. E que, então, será chegada a vez do mais velho lamentar-se desta "injustiça".
Tenho dois filhos, 8 e 6 anos. Numa seqüência de experiências negativas, mudamos de cidade e de emprego e tudo deu errado. Me sinto culpada e insegura quanto ao destino deles. Como devo agir?
Fico imaginando o que possa ter havido para originar esta má fase. Será que as situações ocorreram apesar de vocês terem se guiado pelo bom senso, tendo tido a preocupação, por exemplo, de construir uma poupança para os "dias de chuva"? Será que houve alguma dose de "passo maior que as pernas"? De todo modo, conhecer as razões que levaram a esta fase é importante para que vocês possam pesar os erros de modo a não repeti-los. Aqui no site, na página destinada aos artigos, existe um texto que pode ajudá-la a tratar deste assunto com seus filhos ("Papai perdeu o emprego. E agora?"). No mais, procure manter a serenidade. Lembre-se que seus filhos ainda são muito crianças e que toda família terá tempo de sobra para recuperar-se deste momento tão ruim.
Para uma criança de 2 anos e meio que teve curiosidade de segurar notas de dinheiro na mão - como quem quer saber para que serve isto - qual a maneira de ensiná-la a que o dinheiro se destina?
Antes de mais nada, apresente as várias moedas e cédulas à sua criança. Faça com que ela perceba as diferenças de tamanho, formato, peso e desenho que existe entre elas. Não se preocupe, logo de início, em que ela associe as moedas ou notas ao valor correto. Com o tempo isto vai acontecer, naturalmente. Mostre a ela os cuidados que se deve ter para manusear as cédulas. Quando for ao supermercado (ou farmácia, banca de jornais, padaria, etc.) leve-a com você e deixe que ela entregue o dinheiro ao caixa. Acostume-a, desde já, a conhecer palavras como: troco; caro e barato. Num instante, e com grande prazer, ela vai incorporá-las ao vocabulário.
Qual o percentual que a família deve gastar nos ítens: alimentação, lazer, educação, saúde, poupança, transporte, vestuário, etc.
Este tipo de análise deve levar em consideração vários aspectos específicos que você não menciona. Por exemplo: de quanto é a renda familiar, qual a idade dos membros da família, se possuem casa própria ou não, se já cumprem algum plano de poupança, de que tipo de transporte a família se utiliza, enfim... Não existe um padrão definitivo para estas coisas. Tudo depende de uma análise detalhada das possibilidades e prioridades financeiras de cada família. Arriscar um palpite seria irresponsável e leviano.
Estou com dúvidas sobre quanto dar de mesada para uma criança de 11 anos. Pesquisei em outros sites e, normalmente, a resposta que encontro é de R$300,00. Estou achando essa quantia um pouco acima do normal, mesmo que a orientação que esteja recebendo seja para ele se virar com o dinheiro (gastar em coisas importantes e com lazer). Outra coisa: essa quantia deve variar de ano para ano?
Evidente que a orientação que você recebeu é absurda. A mesada deve servir para dar às crianças condições de estabelecer e cumprir um orçamento. Com tanto dinheiro ele não terá necessidade de organizar orçamento nenhum. Neste caso, para que, então, dar mesada? Como referência geral costumo sugerir que os pais calculem o valor a ser dado obedecendo ao seguinte critério: 1 real, por idade, por semana. De acordo com este cálculo, seu filho deveria receber cerca de R$44,00, por mês. Pequenas variações que levem em conta as necessidades de gastos do herdeiro, naturalmente, são aceitáveis. Pequenas! Algumas das respostas que já estão no site tratam deste tema. Dê uma lida nelas. Por fim, uma dica: dentro de algum tempo, o artigo "Como calcular a mesada?" vai entrar no ar e, com ele, você vai poder esclarecer todas as suas dúvidas.
Porque é importante dar mesada para os filhos?
Mesada é importante para a educação financeira mas não é fundamental. Além disso, é bom lembrar que não é nada fácil dar as tais mesadas. De modo geral, por desconhecerem as sutilezas do assunto, os pais acabam metendo os pés pelas mãos e, ao final, o ato de dar mesada acaba sendo um desastre. Aqui no site você encontra vários artigos que tratam de vários aspectos relacionados à mesada. Espero que eles possam lhe ser úteis.
Minha filha tem 8 anos de idade e pretendo começar a fornecer uma mesada para ela. Gostaria que ela percebesse como é importante poupar para adquirir o que desejamos. Porém, estou em dúvida sobre o valor a ser dado. Pela sua regra deveria ser de R$8,00 por semana. Devo incluir o neste total o valor do lanche ou isto deve ser fornecido à parte?
Os gastos a serem cobertos pela mesada dependem sempre da negociação que se estabelece entre os membros da família e deve levar em conta, entre outras coisas, o grau de maturidade dos filhos. Em todo caso, em se tratando de lanches escolares, é bastante razoável incluir seus custos no valor a ser dado. Para isso, basta calcular o gasto médio com a cantina e adaptá-lo àquela soma que deriva da regrinha. Não esqueça de ensinar à sua filha que não deve levar todo dinheiro à escola, mas apenas a quantia a ser gasta dia por dia. Por fim, um lembrete importante: por ter apenas 8 anos ela deve receber o dinheiro sob forma de semanadas.
Tenho dúvidas sobre como conduzir a minha educação financeira. Não sei lidar com dinheiro. Como posso aprender?
Por não saber sua idade, vou dar-lhe algumas orientações que servem para qualquer faixa etária. Fique sabendo que muito pouca gente tem um dom inato para lidar com dinheiro. Portanto, relaxe, a maioria das pessoas têm problemas como o seu. A diferença, e isso é que é importante, é que você está consciente do problema e quer alterá-lo. Esse é o primeiro passo e a partir dele tudo fica mais fácil. Concentre-se no seguinte: para usar dinheiro é preciso inteligência e estratégia. Aprenda a definir suas prioridades a curto, médio e longo prazo e faça do dinheiro um aliado na conquista de seus objetivos, desenvolvendo uma poupança para alcançá-los.
Tenho uma filha de 7 anos e outra de 3. Gostaria de saber se já devo dar mesada. Quanto?
Dos 3 aos 10 anos a criança deve receber semanadas. Para estipular a quantia a ser dada, o cálculo que recomendo é de 1 real, por idade, por semana. Assim, a mais velha deveria, em princípio, receber 7 reais. A caçula, apenas 3. Mas lembre-se de ensiná-las que metade deste dinheiro deve ser poupado para alguma meta de curtíssimo prazo.
Meu filho vai fazer 7 anos e, quando nasceu, fizemos uma poupança para ele que hoje tem 12 mil reais. Falamos a ele que a poupança é para um carro, para pagar a universidade ou outros cursos aqui e no exterior. A questão é que nunca falamos quanto dinheiro ele tem, pois o valor é muito alto para o entendimento dele. Assim, não temos curtido com ele a abertura dos extratos, pois tenho medo que se ache "rico" cedo demais. O que fazer?
Antes de mais nada, meus parabéns pelo empenho e persistência em construir a poupança do herdeiro. Quanto a preocupação com o valor, o fato é que, aos 7 anos, qualquer quantia um pouco maior que aquela a que ele está acostumado a manusear parecerá uma fortuna. Por isso, R$100,00 ou R$12.000,00 farão com que ele sinta-se, igualmente, milionário. Aliás, a preocupação de vocês é saudável e perfeitamente compreensível. Por isso, acho que algumas coisas devem ficar muito claras antes de convidá-lo a curtir os extratos. Em primeiro lugar, expliquem que a poupança deve ser vista, acima de tudo, como fruto do esforço de vocês. Em segundo, que a quantia depositada é um assunto de família e não deve ser alardeado em hipótese alguma (deixem claro que, do contrário, seria uma grave falta de educação). Finalmente, ensinem o jovem a destinar uma parte da mesada para uma poupança dele (separada da que vocês estão fazendo), para objetivos de curto prazo. Deste modo, ele aprenderá, desde cedo, a valorizar o próprio esforço.
Tenho 16 anos e quero um pouco mais de independência financeira. Quero poder comprar minhas roupas, lanche escolar e tudo o mais com a mesada. Eu faço questão de comprar tudo com o meu dinheiro, mas com esse esquema de R$ 1,00 pela idade eu só vou ganhar R$64,00. É pouco para a minha independência. O que eu faço?
Em primeiro lugar, é preciso considerar se seus pais estão de acordo com a idéia. Em segundo, se o orçamento deles comporta um aumento, significativo, da mesada. Resolvidos estes impasses, é hora de negociar com eles uma quantia que leve em conta as suas novas necessidades (qual é o gasto médio com lanches na escola; de quanto em quanto tempo você vai comprar roupas; gastos com lazer, etc). De todo modo, Fernando, uma coisa deve ficar muito clara. O aumento de mesada vai exigir de você mais maturidade e responsabilidade em lidar com dinheiro. Por fim, não esqueça que independência financeira, de verdade, a gente só consegue alcançar quando trabalha e ganha o suficiente para se manter.
Como vou começar a dar uma mesada para minha filha, e parte desta mesada deve ser destinada para uma "poupança", pensei em abrir uma caderneta de verdade para ela. Será que ainda vale a pena investir na poupança, apesar dos juros serem baixos?
A caderneta de poupança é o investimento mais seguro do mercado, daí os juros serem tão baixos. Além disso, é a aplicação mais fácil de ser controlada e compreendida. Por estas características, funciona como uma espécie de introdução ao mundo financeiro. À medida que sua filha for amadurecendo, vá ensinando a ela que existem outras formas mais sofisticadas de investimento. Insisto que para um iniciante a caderneta é o investimento mais adequado. Leve sua filha ao banco quando for iniciar a poupança e incentive-a a fazer ao gerente todas as perguntas que quiser. Um último detalhe: independente da idade que sua filha tenha, leia o extrato com ela. E comemorem, muito, os resultados do esforço.
Tenho uma filha de 14 anos que está pretendendo ser modelo. Ela até já se inscreveu numa agência. Assim que começar a trabalhar, tenho dúvidas sobre como orientá-la em relação ao dinheiro. Quanto devo permitir que ela gaste, já que considero que poupar e investir são mais recomendáveis? É o início de uma carreira que muitas vezes vem acompanhada não só de bons cachês, mas também de muito tempo sem ganhar nada. Gostaria de uma orientação.
Vamos por partes. Estou certa que sua filha deve ser muito especial e desejo a ela toda a sorte e sucesso. No entanto, como você deve saber, a carreira de modelo é, além de curta, muito competitiva. Hoje em dia, para conquistar espaço nesse difícil campo de trabalho, espera-se que a modelo seja mais que um "rostinho bonito". Ela deve ser capaz, antes de mais nada, de gerenciar a própria carreira. Por isso, meu conselho é que você prepare sua filha para desenvolver habilidades que serão muito úteis, durante e depois da carreira. Incentive-a, por exemplo, a aprender vários idiomas e, é claro, seja firme na exigência de que ela termine os estudos. No mais, é poupar, investir e preparar-se para os dias de chuva.
Tenho um filho de 5 anos. Que motivo posso incutir-lhe para dar-lhe mesada? Certamente balas, chicletes e refrigerantes não seriam pois, minha esposa e eu, procuramos reduzir ao máximo o acesso dele a tais produtos, apesar da influência da escola ser grande.
Você deve deixar claro a razão que o levou a dar semanada (para que ele aprenda desde pequeno a lidar com dinheiro, espero...). Ajude-o a planejar metas para os 50% que ele reservará para uma poupança (brinquedos, carrinhos, jogos, etc). Com relação ao dinheiro restante, o mais provável é que, com o tempo, a fase das guloseimas seja abandonada. Até lá, tente fixar um dia da semana para o consumo dessas coisas que ele adora. De todo modo, se você achar que ele anda exagerando, não hesite em impor limites a esse consumo. Mas, atenção, só tome esta atitude em último caso. Na medida do possível, deixe que ele aprenda a fazer escolhas e a conviver com as conseqüências delas. Deixe-o aprender, por exemplo, que se continuar "detonando" com chicletes não vai conseguir comprar, tão cedo, aquela camisa do time de futebol que queria tanto.
Tenho duas filhas: uma de 13 e outra de 15 anos. Gostaria de saber qual seria mais ou menos o valor da mesada delas. O que ela incluiria?
A de 13 deve receber um valor em torno de R$52,00 e a de 15, R$60,00. Essa é só uma indicação geral e, naturalmente, cada família deve levar em conta as necessidades do jovem que vai receber a mesada (elas lancham na escola? Fazem uso de transporte coletivo?, etc) e as possibilidades do orçamento doméstico. Tome estas quantias com referência e vá justando depois de conversar com as meninas. Com relação aos gastos a serem cobertos, mais uma vez, não existe regras. Cada família define conforme sua conveniência e estrutura (se incluem roupas; material escolar; presentes para os amigos...). É claro que, quanto maior o número de gastos a serem cobertos, maior deve ser a mesada. Por fim, tente não se afastar demais daqueles valores acima. A mesada existe, inclusive, para criar a necessidade de um orçamento e para estimular a formação do hábito de poupança. Por isso, deixe uma margem do dinheiro a ser dado reservada para esta finalidade.
Quase sempre, nos finais de semana, levo minha filha de 6 anos a atividades culturais voltadas para crianças (teatro, cinema, circo, etc). Gostaria de saber se os gastos com essas atividades (ingresso, pipoca, refrigerante) devem ser descontados da semanada.
Do meu ponto de vista, ela ainda é muito pequena para tanto rigor. Certamente, estas saídas são divertidas para os dois. É melhor não criar situações que perturbem esses momentos tão gostosos (do tipo: "não posso ir porque meu dinheiro acabou..."). Quando ela estiver um pouco mais velha a coisa muda de figura. Mas até lá vocês dois ainda têm muito chão pela frente.
Por que as crianças pedem muitas coisas?
Porque as crianças querem ter tudo. Os adultos também são assim. O problema é que ninguém pode ou tem tudo o que quer. Ninguém. Se a gente não vai se acostumando a isso enquanto cresce, percebendo que precisa aprender a fazer escolhas, acaba chegando à vida adulta com comportamentos irresponsáveis e egoístas. E, acima de tudo, muito infeliz.
Tenho um sobrinho de 10 anos que recebe mesada desde os 6. O problema é que ele sempre pede dinheiro à mãe (e ela sempre cede) ou para economizar o dele ou porque o dinheiro da mesada já acabou. Tenho medo de dar mesada cedo demais e isso acontecer comigo também.
A única função da mesada - e no caso de seu sobrinho o correto seria que ele recebesse semanadas - é ensinar a criança a lidar com dinheiro. O que vem ocorrendo neste caso não tem qualquer relação com a idade com que seu sobrinho começou a receber o dinheiro. Para que a mesada funcione, apropriadamente, é necessário que os pais estejam convencidos de seu caráter educacional. A situação que você relata exige que, imediatamente, os pais parem para refletir sobre o modo como estão agindo. A mesada, bem dada e dosada, é um excelente instrumento de educação financeira. No entanto, do modo com está sendo conduzida neste caso, as conseqüências para a educação de seu sobrinho podem ser catastróficas.
Será que a prática de se dar mesada (ou semanada) não é mais prejudicial do que positiva? O fato de receber dinheiro sem ser em troca de algo não cria uma expectativa ruim na cabeça da criança? Óbvio que não se deve exigir que a criança trabalhe para receber mesada, mas algum tipo de colaboração em casa ou determinado comportamento poderiam, aí sim, ser recompensados com dinheiro, não?
Esta é uma dúvida bastante comum aos pais. A única função da mesada é ser instrumento para a educação financeira da criança. No entanto, mesmo levando esse fato em consideração, os pais ficam confusos sobre como devem estipular a mesada. Naturalmente, não existem regras fixas sobre isso. De todo modo, minha experiência como educadora financeira indica que alguns acordos funcionam mais que outros. É o caso da associação do pagamento da mesada à realização de tarefas domésticas que, na prática, costuma ser de difícil execução. A razão é simples: pode acontecer, por exemplo, de seu filho recusar-se a cumprir as tais tarefas na semana em que não sinta necessidade de receber dinheiro. Em casos assim, a sua autoridade vai por água abaixo e a educação financeira de seu filho também. O mesmo raciocínio, aliás, vale também para a vinculação da mesada ao comportamento da criança.
Como trabalhar essa educação financeira sem correr o risco das crianças crescerem mesquinhas, egoístas e supervalorizando o dinheiro, vivendo em função do dinheiro pelo dinheiro?
O fato de alguém supervalorizar o dinheiro é, por si só, claro sintoma, justamente, da falta de educação financeira. Ter dinheiro não pode ser a coisa mais importante na vida de ninguém. Mas é certo que, se não dermos atenção suficiente ao modo como lidamos com dinheiro, cedo ou tarde, nossas confusões financeiras não nos deixaram com tempo ou energia suficiente para cuidar daqueles valores que deveriam, estes sim, ser muito mais importantes que o dinheiro. |
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